21/06/2012 00h00
Massacre no Taquaruçú
Era santa a cidade de Taquaruçú, para os excluídos da região.
Na igreja, a missa fúnebre do lugar e das almas que ali habitavam.
O ofertório daquele momento seria a vida dos inocentes
Pairava no ar um silêncio gritante, que existem somente nos sepulcros.
o sol ficou escondido, para não ser testemunha do genocídio bestial.
a sentença fora dada, pelos algozes de plantão, condenação à morte, ao povo que lutava por dignidade.
até as copas de araucárias se tornaram lanças, para defenderem-se do corvo metálico, que sobrevoava o lugar.
o reduto foi rodeado de matilhas, de cães raivosos com parafernália mortal, para trucidar aos borbotões.
a ceifa da morte apareceu na hora, que a corneta soou a ordem, dada pelo carniceiro de farda.
o cheiro de enxofre tomou o lugar, o fim do mundo dos pelados.
tiros de canhão, balas de fuzil, rajadas de metralhadora e explosões de granadas, o inferno na manutenção da ordem da selvageria.
tombou muitos homens, mas principalmente mulheres e crianças, na fratricida operação.
as balas entrelaçavam-se, como filetes de taquara formando a peneira horrenda.
o solo disputado encharcou-se, com o sangue dos miseráveis.
tudo fumegava, restando só cinzas, dos casebres e da igreja, que ao invés da luz prometida, trouxe a negritude da morte, para os filhos de Deus.
agonizando a dor, o céu chorou, e suas lágrimas escorreram das nuvens, para lavar a podridão escarrada da prepotência humana.
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“Deus olha por nós”